quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Poeminha

Um poeminha
pra minha irmazinha
que é tão magrela
fina menina
é bailarina
fala matraca
toda branquela
ela requebra
era um cotoco
disse que vai
e por um pouco
não é maior do que o pai!

sábado, 19 de dezembro de 2009

Barata

O riso aceptico
branco
como o branco das nuvens

a pele lisa
seca
tenra
mas brilhante

enfim
que preguiça
se somos 97% iguais as
baratas

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Fume cigarros

Um copo com café 300 ml
Um maço de cigarros
Uma paranga, alguns becks
Um gê de pó, cinco carreirinhas num banheiro sujo

Uma mulher
Duas mulheres
Uma terceira mulher

mais alguns secretos

o cigarro tem mil substâncias
veneno de rato pra queimar uniforme

a cocaína corrói a cabeça

um vem do sangue e suor de mulheres
o outro de crianças também

eu,
me matam de tanto trabalhar

o café me deixa acesso
o cigarro leva pros diabos meus demônios

e os seus também

fume, debaixo dos toldos

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Acontece

o futuro não existe
exatamente como deus
a previsão do tempo

o que somos
é
o que queremos
não
e ponto

Divina comédia humana

Estava mais angustiado que um goleiro na hora do gol
Quando você entrou em mim como um Sol no quintal
Aí um analista amigo meu disse que desse jeito
Não vou ser feliz direito
Porque o amor é uma coisa mais profunda que um encontro casual
Aí um analista amigo meu disse que desse jeito
Não vou viver satisfeito
Porque o amor é uma coisa mais profunda que uma transa sensual
Deixando a profundidade de lado
Eu quero é ficar colado à pele dela noite e dia
Fazendo tudo de novo e dizendo sim à paixão morando na filosofia
Eu quero gozar no seu céu, pode ser no seu inferno
Viver a divina comédia humana onde nada é eterno
Ora direis, ouvir estrelas, certo perdeste o senso
Eu vos direi no entanto:
Enquanto houver espaço, corpo e tempo e algum modo de dizer não
Eu canto





Esse é o cara.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

domingo, 15 de novembro de 2009

Copo

Existe o copo
um copo americano
muito bom pra tomar cerveja

rígido
mas transparente
tem rugas muito boas também
que não o deixam como vidro liso
ou seja, não escorrega mesmo molhado

Existe o dentro e o fora do copo
como coisas separadas
divididas
rigidamente
mesmo o copo sendo transparente

dentro do copo, assim como fóra
é permitido todo tipo de
indecisão

no entanto
é um copo
desses que eu disse
e existe o dentro e o fora do copo

No topo

O vento intenso
no topo
noitinha

num dia
que o vento disfarça
tão quente quanto são paulo
num dia quente

e o vento leva palavras
como essa:
to com frio
com tudo aquilo que eu não faço idéia

vem cá vem cá que eu to com calor

Balanço e perspectivas

E se a vida fizesse sentido
se tudo seguisse tranquilo
e se o verso fosse só um poema
às vezes sem sentido

e se tudo tivesse sentido
e se tudo fizesse sentido
e se o verso fosse
um poema de amor
um poema de amante
um poema de vinícius

Sobre todas as coisas
à margem
sorrindo
flutuando e sentindo

me engolfo
não saibo
inseguro e consistente
te sinto

Te faço elegias por partes
entrego versos completos com sentido
na síntese sigo suave, tranquilo
no diálogo do que sou e o que digo

afirmo, sou rapper ou navego o vício
no quebra-cabeça que é líquido
que a peça que falta que sou eu quem decido

pra quebrar o ritmo

pra que
be
ce
de

é você

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Só para os trotskystas (até 1923)

Rosa Luxemburgo
Karl Liebknecht
Jogiches
a tristeza de Mehring
Vladimir Ilitch
Ulianov Lenin

John Maclean
John Reed
Lefevbre
Lev Davidovich
Trotsky
Rakovsky
Paul Levi

para eles
o calor incomodo da lágrima
incrédulo

um beijo na boca de pai
um carinho de mãe

domingo, 8 de novembro de 2009

Trechos

e se de repente
sem saber
querendo

amor

de uma granada
que decepou seu braço
os estilhaços perfuraram
seu olho esquerdo
e destroçaram seus lábios
e dentes, um vira-lata

Uso o poema para o
escândalo

uma esperança
uma alegria
canta mais

travo
meço
sigo
acelero











Uma coisa. A estrofe da granada (eu sei, eu sei, é a melhor), não é minha! Roubei do poema que está nesse blog também, o rotina (do régis bonvicino). Eu explico: pra o que eu queria do poema não dava pra fazer algo melhor, e cortar o poema dele também ajuda, então, desculpem pela decepção parcial!

sábado, 31 de outubro de 2009

Lento, Lento

suave
seguindo
sabendo
o suficiente
pra imaginar

sem tempo
correndo
esquecendo
subindo,
descendo
pra deixar
pra lá

sonolento
à toa
de boa
sistematizando
pra te
encontrar

domingo, 25 de outubro de 2009

Azul

Não me bate
a raiva
Nem desespero

Só a tristeza
me inunda
tranquila
de passos leves
sem pressa de atravessar

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Radiohead - Weird Fishes

Aquela então não foi a única. Essa é a segunda. Gosto muito deles, é um desafio traduzir, mas a música e o tempo que escuto eles facilita as intenções. Mas não que esteja bom, enquanto não for profissional vai ser difícil rapaziada, é, é a lógica da humanidade, fazer o que!
O atalho pra música é esse daqui. Coloquei o do CD, mas o Scotch Mist (a outra versão das músicas desse álbum) é bem legal, tem um video no youtube de 57 minutos que tem todo o álbum (In Rainbows) com uns trecos de arte que eu não entendo (artes plásticas eu não manjo nada), eis o link para esse, pra quem tiver interesse.
Se tiver mais interesse ainda eu posso indicar por onde começar a ouvir os caras e as principais músicas de cada "vibe" (mas tudo bem, tem bastante de depressão mesmo. Mas, galera, vivemos no pós década de 90 e o álbum é de antes da crise ainda! Além do mais é bem animadinho esse último)


Radiohead - Weird Fishes
tradução livre poética


esquisitos peixes estranhos


dentro do mar aberto
no fundo do oceano
seus olhos
me acendem

e por que eu devo ficar
pra que eu ficaria

não seguir onde você leva
seria loucura
seus olhos
me acendem

me viram aparição
e sigo até a borda
da terra
e escorrego

é isso,
todos vão
se tem a chance
e essa
é minha



fui devorado
pelos vermes
peixes esquisitos
dissecado pelos
vermes e
peixes estranhos

esquisitos
  peixes
estranhos



mas eu vou,
alcançar
e fugir
alcançar e fugir

eu
vou alcançar

fugir

Freedom=Liberdade

envasamos
perfumes e cremes
com satisfação

cobrimos nossos
cabelos e corpos
e nossa expressão

prendemos os
risos e espirros
e a opinião

Free doom
liberdade
dá calo na
mão

cidadania?
Sociedade aqui é
comigo e os
irmão

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Taxidermia

perfil per
feito
te cheiro
apelo
o cangote
a
perto,
com
pacto e mordo


segu
ro
su
ave
e
sat
is
feito

abaixo o pano
palmeio
escorregando

me en
guio
vendo pouco

quedo
me-em-cacho per
sigo
a brasa
o calor
o sussurro quem
nussegura

a brasa
o calor e
o ar do pulmão
mais gostoso

sábado, 17 de outubro de 2009

Radiohead - Life in a Glasshouse

Primeira e talvez última tradução minha. Decidi fazer em poema, é bem bonita a letra, o link para a música é esse daqui. É impressionante como piano pode ser bonito. Eu também fiz uma versão no violão que disfarça a depressão... ha!

Radiohead - Life in a glasshouse
Tradução poética livre

numa casa de vidro

de novo eu
com problemas com ela

ela cobre as janelas
um sorriso no rosto
numa casa de vidro

mais uma vez eu
compactado
feito comida congelada
em série
como frango industrial

Pense nos milhões de famintos

sem política
não atire pedras
sua Majestade

eu adoraria
sentar e conversar
adoraria bater um papo
eu
adoraria
sentar e conversar
adoraria bater um papo

mas...
alguém?


mais uma vez
sedentos
por um linchamento
,estranho equívoco,
você deveria dar
a outra face

vivendo
numa casa de vidro


claro que eu
adoraria conversar
sentar e
bater um papo

        só
                só
                        só



alguém na escuta?

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Dor de garganta

hoje
não quero o Invisível
o que os cegos não sentem
o que o vento não esfria

me empurram de mim
depois separam
me justificam
sem explicar

me querem
masoquista
louco
animal esperto quieto

calo e consinto
grito calado
olhando pra baixo
grito

não grito
.

ranger os dentes
enquanto dorme

desvio
uniforme do olhar

engole o choro
implosivo

eu quero
o indizível

domingo, 27 de setembro de 2009

Machismo

Tem gente que acha que pode acabar com a homossexualidade de alguém, por que acha bom que isso aconteça. Mas isso não faz sentido. As mulheres se dão muito mal em um mundo que o machismo existe da forma que existe hoje no nosso mundo. Isso, elas percebendo isso, faria com que elas não gostassem dos homens. Alguns podem dizer que qualquer tipo de doença masoquista poderia faze-lo. Eu acho que do jeito que eu vejo como o mundo é, e que sempre foi assim, não pode ser que todas as mulheres estejam doentes. Então elas passam por cima disso e ficam com os homens, e eu fico muito feliz disso acontecer. Na verdade o que faria mais sentido hoje seria que as mulheres ficassem com as mulheres, por que não tem um macho machista as oprimindo todo o tempo. Sobre os homens eu não sei. Então se mesmo sem sentido e lógica nenhuma os homens e mulheres continuam juntos, e podemos chamar isso de amor, sem ser românticos, por que isso não pode acontecer entre homens e homens, e mulheres e mulheres?
Não que qualquer diferença deva existir, mas se ela existe, e tem tenta gente que gosta, por que ficar procurando minhoca?

Um beijo e um abraço pra todo mundo.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Ela dança

a boca
e a maquiagem dos olhos
que de longe
esqueço, querendo ser
o pano do vestido
e a corrente de ar
que alternadamente ficam impregnados
do seu cheiro e ângulos

quarta-feira, 22 de julho de 2009

quinta-feira, 16 de julho de 2009

sexta-feira, 8 de maio de 2009

      Os espancados                espancarão



      Extase                suspenso
      Mudo                  Cego

      Casca      que            se
Densifica    -  se              e
                              Racha

      Como turbilhão
      Asfixia até
      O grito

      Como terremoto
      Despedaça até
      O rastro

      Maremoto contra a vítima
      Parede contra Parede
      Quebra todos os seus
      Dentes da frente

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Mas não foram cruzados que vieram. Foram fugitivos de uma civilização que estamos comendo, porque somos fortes e vingativos como o Jabuti.
Mas não foram cruzados que vieram. Foram fugitivos de uma civilização que estamos comendo, porque somos fortes e vingativos como o Jabuti.
Mas não foram cruzados que vieram. Foram fugitivos de uma civilização que estamos comendo, porque somos fortes e vingativos como o Jabuti.

Acho que passamos mal.

23 anos

        Pessoas de 23 anos são muito complicadas, estranhas mesmo. O problema é quando já é mulher ,.não entendo agora nem nunca vou entender, mas acho que isso é que é bom. Mas eu tento, adoro tentar, tentar/não contém/nem contenta/ mas quem não tenta?. E o pior, ou melhor, tudo se justifica explica no final, de uma maneira inesperada e inesperadamente interessante.
        Às vezes a poesia deve existir em tudo, não é só uma super estrutura, é mais. Deve poder estar em cada problema, dificuldade, raiva, ai que raiva! Uma raiva que não esquenta nem dá forças pra qualquer coisa. Até que escrever vire algo sem esforço sem força, só ritmo,      ritmo,            ritmo.
          Isso muda a vida da gente.





        Não      deixa/ A      gente/Tudo      junto/ Por      que?







        A declaração de amor não é para que aos 23 anos, para pelos 23 anos todos achem que toda a declaração de amor do mundo pode ser condensada e entregue e compreendida, ou que aos 23 anos isso pode acontecer, fazer acontecer, fazer com que se declare a declaração de amor do mundo. O lance é ela. Ela que faz os 23 anos fazerem tudo isso. por que na verdade eu estava mentindo, são os 23 anos mesmo que importam, mas só à partir dela, na história da humanidade.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Coletivo

            tênis gastos
ávidos
por espaço

verso sinuoso
movimentação
precisa


Corredor de nucas | tornam-se úteis
à catraca | pés de bailarina e sua
braços distendidos | mandinga dolorida
o impulso |
Cotovelos em riste, porto-seguro | joanetes, calcanhar.
Vem o alívio | pontas dos dedos
do tranco | o peito do pé
| incham
reordena |
e |
aumenta |
o calor |


a tecnologia
da caminhada
do montanhismo,
velocistas
não dizem muito
não servem




Mutilamos os pés
todos os dias, sempre
das meninas quando
criança
para belos
pés pequenos
para
que
não
fujam

domingo, 1 de março de 2009

Tento

você superou
o alcool
Revirou
o pó

fez de mim
latejando sua
vontade

    respiro
fraco
    vejo
perto, pouco
pra te por
no verso



tento

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Samba do bobo

(paródia daquela música, eu bebo sim, e to vivendo, tem gente que não bebe e está morrendo, que eu não sei o nome)

Samba do bobo

Eu sou bobo sim, e estou vivendo
Tem gente que é sisuda e está morrendo, eu sou bobo sim! x2

Tem gente que já está com o pé na cova
É sisuda e isso prova
Que a bobeira não faz mal

Tem quem não faz piada nem faz troça
Fecha a cara e fecha a porta
Diz "quem é esse boçal", sou bobo sim!

Refrão x2

Um dia a nação boba ainda mostra
Dá montinho, cambalhota
Verdadeiros passa-mau

Por que tem pouco tempo pra ser bobo
Ser sisudo ou dorminhoco
Que que tem de mais legal? Sou bobo sim!

Refrão x2







Ficou divertida =D

Prolixamente falando sobre a alienação do trabalho e sua resolução


A realização do homem enquanto ser genérico e consciente se dá através da capacidade genérica operativa: o trabalho. Este processo alienado impede a concretização humana de apropriação dos sentidos e natureza e trabalho de forma humana, necessidades básicas "humanizadas", humanas, e necessidades, de maneira humana, desenvolvidas à partir daí. Daí a necessidade primeira de fim do trabalho alienado (processo de realização humana alienada) para a libertação dos sentidos e além.

Essa é a síntese geral. No capitalismo a alienação se reflete, de maneira simplificada, assim: o trabalhador aliena a realização, o processo e o produto do trabalho para o capitalista. Utiliza o trabalho como um meio de sobrevivência. É mais ou menos isso, que eu entendi né.

Oi

Agora eu sei imitar Galo. Exímio, meu ser genérico foi encontrado. Depois posto o vídeo.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Régis Bonvicino

Rotina

Um mendigo
ao revirar
uma lata de lixo
arrancou o pino
de uma granada
que decepou seu braço
os estilhaços perfuraram
seu olho esquerdo
e destroçaram seus lábios
e dentes, um vira-lata
morreu na hora
Gostava
da vida despedaçada
que o acolhia -
em sua explosiva rotina



Viva, em vermelho vivo
no muro
dois mendigos
largados na calçada
dormindo
indiferentes aos carros que passam
e ao alívio
da brisa
que atenua o calor de dezembro
um vira-lata dorme também
tranquilo





Eu acho um dos melhores poemas que eu li esses tempos. De um cara "novo" né, ou que ainda tá vivo e escrevendo, é de um livro publicado em 2007, apesar de caro, e em geral livro de poesia dar uma dor no bolso, muita coisa sem escrever e páginas em branco, por que eu gosto é de conteúdo, mesmo na forma, vale a pena. Eu gosto e tenho dito, e ponto.
Não gosto de publicar outros, é mais pra mostrar mesmo, e não tenho tido tempo de escrever, espero que passe.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

O que eu tenho doutor?

Descubro e repito
Doença crônica

Sofro de vida
      Não         deixa
    A          gente
        Tudo       junto
      Por         que?

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Reconhecimento

puxa o fumo do torpor
sorve entre lábio dedo e pele
preta, opaca cor
na ponta o centro de gravidade


suga junto atentos olhos vermelhos


produzo intermitentes
incontáveis
Deliciosos
de repente riso
te aproximo

reconheço terreno
tateio displicente
testa, têmpora, maça e bochecha

mas sua boca

desiguais lábios parados
indistintos no tom
coração, desenho de criança na metade do caminho
se perde e continua a linha
Inverte em simples traço
e acaba